Quadrilha pedia até encerramento de cartão de crédito em processos fraudados para lucrar com bancos, diz advogado de vítimas

  • 07/05/2026
(Foto: Reprodução)
O advogado Klaus Philipp Lodoli, preso na segunda fase da Operação Têmis, em Ribeirão Preto (SP). Reprodução/EPTV Ações que poderiam ser resolvidas por vias administrativas, como aumento de limite da conta ou cancelamento do cartão de crédito, estão entre os milhares de processos ajuizados contra instituições financeiras por uma quadrilha do interior de São Paulo investigada por lucrar com fraudes judiciais. Segundo o advogado Walter Silveira Moraes, que representa alguns dos bancos prejudicados pelo esquema criminoso, o ajuizamento em massa de processos, ainda que com baixa possibilidade de ganho de causa, é uma das práticas associadas ao grupo, que foi alvo da segunda fase da Operação Têmis, na região de Ribeirão Preto (SP), esta semana. É o que, segundo ele, se define como uma litigância abusiva em larga escala, ou seja, a apresentação de ações desnecessárias que distorcem o uso do poder judiciário, seja para obtenção de vantagens indevidas, seja para confundir a Justiça ou tumultuar processos. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Segundo o Ministério Público, apenas um dos advogados investigados tinha entrado com mais de 10 mil ações em 237 foros distintos. "São ações produzidas de forma artificial por parte daqueles que a apresentam no judiciário. O que seria isso? São ações em que a gente percebe, por exemplo, comprovantes de residência em nome de terceiros, ações em que nós percebemos que as procurações não possuem requisitos de validade, em nome daquelas supostas partes que são representadas. São ações em que os advogados que representam os supostos autores escolhem o foro ou ajuizam uma mesma ação em locais diferentes para tentar induzir a erro o judiciário", explica. Quadrilha investigada por fraudes judiciais contra bancos usou dados de idoso doente Apenas contra os dois bancos que ele representa foram pelo menos 2 mil processos contabilizados. Número que deve mudar com o avanço das investigações, assim como o prejuízo dos bancos, ainda não calculado. "É algo complexo. As investigações, a cada hora que a gente está aprofundando, que o Ministério Público tem pedido as documentações necessárias, informações necessárias, mais dados têm surgido ali para que a gente entenda ainda mais a repercussão e o tamanho dessa organização." Materiais recolhidos por agentes da Operação Têmis, em Ribeirão Preto (SP). Reprodução/EPTV Operação Têmis Ao todo, foram cumpridos na quarta-feira (6) seis mandados de prisão preventiva e 20 mandados de busca e apreensão nas cidades de Ribeirão Preto, Igarapava e Sertãozinho. As prisões ocorreram no âmbito da segunda fase da Operação Têmis, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. A primeira fase aconteceu em 2018, quando as investigações constataram golpes que causaram prejuízo de R$ 100 milhões a instituições bancárias. Os alvos dos mandados de prisão nesta quarta-feira foram: Klaus Philipp Lodoli (suspeito de ser líder da organização criminosa) Rafael de Jesus Moreira Carlos Renato Lira Buosi Daiane Cristina Rosa Carine Costa e Silva Araújo Donizete Gomes da Silva Dentre eles, Klaus, Rafael, Carlos Buosi e Carine são advogados. Os mandados foram cumpridos em residências, empresas e escritórios de advocacia dos suspeitos. Entre as apreensões estão quatro veículos, além de documentos, computadores e celulares, que serão analisados. Além disso, a Justiça autorizou preventivamente o bloqueio de R$ 25 milhões de bens e contas bancárias em nome dos investigados. LEIA TAMBÉM Quadrilha investigada no interior de SP por fraudes judiciais contra bancos usou dados de idoso doente, diz MP Polícia e Gaeco prendem no interior de SP advogados suspeitos de fraudes judiciais e financeiras Preso pela 2ª vez, advogado com registro na OAB suspenso é suspeito de chefiar quadrilha de fraudes judiciais e financeiras Os investigados respondem por organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, fraude processual, lavagem de dinheiro e violação de sigilo de dados. Na chegada à delegacia, Carlos disse estar tranquilo e que irá provar a inocência. "Estou tranquilo, não tem nada de mais, vou provar que essa acusação quanto à minha pessoa é infundada." A reportagem procurou as defesas dos demais investigados, mas não obtere retorno até a publicação desta notícia. Mesmos advogados, CPFs frequentes e assinaturas divergentes Moraes explica que, no caso dos dois bancos que ele representa, as suspeitas de fraude começaram a aparecer principalmente depois da pandemia, em 2022, quando o número de processos contra as instituições bancárias chamou a atenção. Com isso, alguns detalhes causaram estranheza, principalmente: o número reiterado de processos ajuizados pelos mesmos advogados; múltiplos processos ajuizados em nome das mesmas pessoas; irregularidades na validação de procurações eletrônicas; divergência de assinaturas nas procurações físicas. Diante disso, segundo ele, na expectativa de apurar o que estava acontecendo, os bancos solicitaram à Justiça que os autores dos processos fossem chamados para confirmar informações sobre as causas. A partir de então, de acordo com o advogado, as instituições começaram a confirmar que estavam sendo vítimas de fraudes e acionaram o Ministério Público. "Na medida em que a gente foi vendo essas irregularidades, a gente foi pedindo ao judiciário para fazer essas diligências e, no retorno dessas diligências, a gente viu aos montes autores que não conheciam as ações, autores que não reconheciam a assinatura que estava posta naqueles documentos, autores que nunca receberam valores relacionados àquelas ações." Agentes cumpriram mandados de busca em escritório de advocacia pela Operação Têmis, em Ribeirão Preto (SP).. Reprodução/EPTV Prejuízos grandes, mas ainda não contabilizados Segundo o advogado, até por conta da natureza das fraudes, é preciso mais tempo para contabilizar os danos causados aos bancos. Além dos eventuais ganhos de causa - que representam a minoria das ações -, as instituições tiveram gastos com honorários advocatícios. "As instituições vão fazer essa apuração para poder levar o conhecimento do juízo. A gente ainda não tem um valor fechado. (...) Quando essa ação chega, ganhando ou perdendo, na verdade, o banco já perdeu, porque já vai ter que tirar um dinheiro para defesa", explica. Embora não seja possível dimensionar esses gastos, a título de ilustração, segundo a tabela da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), é possível saber, por exemplo, que apenas uma consulta de uma empresa a um advogado sobre um determinado processo custa R$ 539. Moraes destaca ainda os prejuízos aos cofres públicos, com os custos que os processos demandam para o próprio poder judiciário. "Os tribunais de justiça já estimaram que um processo na justiça estadual custa para os cofres públicos na casa de R$ 10 mil." Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/05/07/quadrilha-pedia-ate-encerramento-de-cartao-de-credito-em-processos-fraudados-para-lucrar-com-bancos-diz-advogado-de-vitimas.ghtml


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