Nunes cria regras de transparência para emendas parlamentares em SP cinco meses após determinação do STF; MP investiga atraso

  • 19/03/2026
(Foto: Reprodução)
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o ministro do STF, Flávio Dino. Montagem/g1/Divulgação/GESP e Valter Campanato/Agência Brasil O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), publicou na terça-feira (17) um decreto determinando transparência e rastreabilidade nas emendas parlamentares de vereadores e deputados estaduais e federais para o município de São Paulo (leia os detalhes mais abaixo). O decreto do prefeito paulistano foi publicado cinco meses depois de uma determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). E, também, depois que o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) determinou a abertura de inquérito policial para apurar as razões para o presidente e oo vice da Câmara Municipal de São Paulo, Ricardo Teixeira (União Brasil) e João Jorge (MDB), respectivamente, além do próprio Executivo municipal, não cumprirem as determinações do STF. A decisão do ministro Flávio Dino aconteceu em outubro de 2025. Na época, ele determinou que todos os estados, o Distrito Federal e os municípios sigam o modelo federal de transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares consolidado a partir de determinações da Corte, a fim de garantir a fiscalização dos recursos públicos aplicados por políticos e facilitar investigações de corrupção. “Caberá aos tribunais de contas e aos Ministérios Públicos estaduais a adoção de providências para assegurar que a execução das emendas, no âmbito dos entes federativos, siga esse parâmetro a partir do orçamento de 2026”, disse o ministro na época. Veja os vídeos que estão em alta no g1 As regras deveriam ter sido adotadas já na execução das emendas deste ano, o que não aconteceu. Em nota, a prefeitura informou que "já possui regras próprias, claras e em pleno funcionamento, antes mesmo da decisão do Supremo Tribunal Federal, para dar transparência e orientar a execução das emendas parlamentares na cidade" (leia a íntegra mais abaixo). Já a Câmara disse que "tem há anos um sistema público de transparência que identifica, incluindo o nome do autor, todas as emendas apresentadas" (leia mais abaixo). Ao abrir um inquérito para investigar o descumprimento da determinação na cidade de São Paulo, a promotora Karyna Mori, da 6ª Promotora de Justiça do Patrimônio Público e Social, observou que os membros da Câmara e do Poder Executivo estavam atrasados no cumprimento da determinação judicial. A promotora determinou que os vereadores Ricardo Teixeira e João Jorge compareçam ao MP em 30 de março para prestar esclarecimentos sobre o atraso e a não adoção dos critérios de transparência na indicação das emendas de 2026. Na portaria de instauração de inquérito, Karyna Mori também determinou que a Polícia Civil investigue o atraso da Câmara em se adequar às normas judiciais. Embora o município tenha já disponibilizado a relação de emendas no site da Casa Civil municipal, a promotora destacou que a gestão Nunes e a Mesa Diretora da Câmara Municipal precisam adotar protocolos para atender corretamente à determinação do STF. Ela observou que a Prefeitura de São Paulo precisa “disponibilizar a relação de Notas de Liquidação emitidas desde 2025 em transferências federais e estaduais” para a cidade, com a obrigatoriedade de disponibilizar a conta bancária específica que recebeu os recursos, com disponibilização no sistema de transparência pública. “A aplicação das emendas na área da saúde pública está sujeita a regras de governança do SUS, visando fortalecer a transparência. Todas as indicações de emendas deve ser previamente submetidas às áreas técnicas quanto à prioridade, viabilidade e exequibilidade e as contratações decorrentes de emendas têm sido, em regra, precedidas de licitação”, lembrou a promotora. O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Ricardo Teixeira (União Brasil), e o vice-presidente João Jorge (MDB). Montagem/g1/Douglas Ferreira/Rede Câmara LEIA MAIS: Deputado do MDB destina R$ 2,2 milhões em emenda pix para recapear ruas de condomínio de luxo onde mora em SP CGU e MPF apuram envio de R$ 2,2 milhões em emenda por deputado federal do MDB para condomínio de luxo onde mora em SP Beverly Hills Paulista: Prefeitura de Barueri recapeou 30 vezes mais o condomínio de luxo de deputado do MDB do que bairros pobres vizinhos, diz relatório Entenda como a briga por um cão fujão de Simone Mendes revelou emenda parlamentar para condomínio de luxo em SP O que dizem os envolvidos Em nota, a prefeitura informou que "já possui regras próprias, claras e em pleno funcionamento, antes mesmo da decisão do Supremo Tribunal Federal, para dar transparência e orientar a execução das emendas parlamentares na cidade. Desde 2020, o Decreto municipal nº 59.210 estabelece procedimentos e prazos para viabilizar as ações previstas por essas emendas". "Em 2023, outro decreto (nº 63.097) regulamentou o recebimento e a execução de recursos vindos de emendas da União e outros entes federativos. Portanto, o Município atua com total lisura e transparência nessa questão. Além disso, por recomendação do Tribunal de Contas do Município (TCM), feita após a decisão do STF, a Prefeitura providenciou uma atualização desses regramentos neste ano e publicou na segunda-feira (16) o Decreto nº 65.022, que aprimora a transparência e atualiza procedimentos. A Prefeitura não foi notificada, até o momento, pelo MPSP", disse. Também por meio de um comunicado, a Câmara Municipal afirmou que "a decisão do ministro Flávio Dino tem validade a partir de 1º de janeiro de 2026, ou seja, não estava em vigor durante a tramitação do Projeto da Lei Orçamentária no ano passado". "Independentemente disso, a Câmara Municipal de São Paulo já tem há anos um sistema público de transparência que identifica, incluindo o nome do autor, todas as emendas apresentadas pelos vereadores durante a tramitação da Lei Orçamentária Anual. O sistema está disponível no Portal da Transparência da Câmara, em "Dados Abertos", "Orçamento do Município de São Paulo", no link: https://saeoconsulta.saopaulo.sp.leg.br/", afirmou o comunicado. Já em relação à execução orçamentária (gasto efetivo dos recursos), a Câmara diz que a responsabilidade pela aplicação das emendas e controle "é de responsabilidade discricionária do Poder Executivo" e da equipe do prefeito Ricardo Nunes (MDB). "Cabe lembrar que no município de São Paulo não existem emendas parlamentares impositivas, ou seja, a liberação e a execução das emendas ocorrem a critério do Executivo. Em dezembro do ano passado, o Tribunal de Contas do Município (TCM) publicou a Resolução 28/2025, que trata do controle e transparência das emendas por meio de sistemas e procedimentos a serem adotados pelo Poder Executivo, que também publicou decreto recente com as regras para o mesmo fim", afirmou o órgão. Novas regras municipais Verba de emenda pix de deputado é usada para recapear ruas de condomínio do parlamentar As regras de transparência impostas pelo STF nas emendas parlamentares aconteceram em razão de uma série de escândalos envolvendo desvios de verbas, corrupção e mau uso dos recursos públicos dessas chamadas 'emendas pix' ao redor do país. Em São Paulo, o g1 revelou em julho do ano passado que o deputado federal Fábio Teruel (MDB) destinou R$ 2,2 milhões em emenda parlamentar para o recapeamento do condomínio de luxo onde mora, em Barueri, na Grande São Paulo (veja mais aqui). De acordo com o novo decreto publicado no Diário Oficial pelo prefeito de São Paulo, “a prestação de contas das emendas parlamentares é obrigatória” para qualquer parlamentar e pasta para onde o recurso é destino. O decreto também diz que a administração municipal manterá página específica na internet denominada "Emendas Parlamentares" no Portal da Transparência do Município de São Paulo, com publicação de todas as informações relativas ao repasse e à execução das emendas municipais, estaduais e federais. “Em caso de irregularidades na prestação de contas, será concedido prazo para regularização; não sendo sanadas, será instaurado procedimento para apuração de responsabilidades e devolução dos recursos, assegurados o contraditório e a ampla defesa”, diz o decreto. “Os documentos relativos à execução e à prestação de contas das emendas parlamentares serão mantidos pelo prazo mínimo de 5 (cinco) anos, contados da aprovação das contas, para fins de fiscalização pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo e demais órgãos de controle interno e externo”, afirma.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/19/nunes-cria-regras-de-transparencia-para-emendas-parlamentares-em-sp-cinco-meses-apos-determinacao-do-stf-mp-investiga-atraso.ghtml


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